Igreja e Estado: exclusão ou selectividade cultural das actividades gospel?
Exclusão ou laicidade?
Por: António Santareno
Recentes decisões do Ministério da Cultura, na pessoa do Dr. Filipe Zau, sobre a não cedência de salas para actividades gospel levantam uma questão essencial:
estaria a Igreja sendo excluída do espaço público?
O Estado angolano é laico, mas laicidade não significa hostilidade à fé. Jesus ensinou: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:21), lembrando que fé e vida pública podem coexistir, desde que com limites claros e responsabilidades mútuas.
Selectividade cultural
Quando normas parecem aplicadas apenas às igrejas, surge a selectividade. A Bíblia alerta: “Não fareis injustiça no julgamento; com justiça julgarás o teu próximo” (Levítico 19:15). Impedir manifestações gospel em espaços públicos, enquanto outras expressões culturais recebem liberdade, não é neutralidade; é desigualdade. E a sociedade sente o impacto dessa injustiça.
Espaço público pertence a todos
“Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe” (Salmos 24:1). Nenhum espaço público deixa de pertencer ao povo por causa da fé que ali se manifesta. Restringir a presença de actividades gospel limita a participação de uma comunidade inteira e empobrece a diversidade cultural que o Estado deveria proteger.
Actividades gospel como expressão cultural
Música, teatro, poesia e dança gospel não são apenas expressão de fé; são manifestações culturais profundamente enraizadas no povo. Como diz o Salmo 98:5: “Louvai ao Senhor com cânticos, com instrumentos de cordas e com voz harmoniosa”. Silenciar essas expressões é silenciar a própria cultura que nasce da sociedade.
Diálogo e equidade
Uma parceria saudável entre Estado e Igreja exige critérios claros, diálogo constante e tratamento igualitário. “Bem-aventurada a nação cujo Deus é o Senhor” (Salmos 33:12) — não como Estado confessional, mas como reconhecimento de valores que promovem justiça, paz e dignidade humana.
O silêncio diante da exclusão selectiva não é neutralidade; é omissão. “Abre a tua boca a favor do mudo, pelo direito de todos os que se acham desamparados” (Provérbios 31:8).
A Igreja não pede privilégios, mas respeito; não exige domínio, mas equidade. Ignorá-la é ignorar uma parte significativa do povo e empobrecer cultural, moral e humanamente a sociedade.
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