Quando a honra virou protocolo, o poder chamou iss... Orrin Vox

Janeiro 11, 2026 - 17:43
Quando a honra virou protocolo, o poder chamou iss... Orrin Vox
Quando a honra virou protocolo, o poder chamou isso de civismo. Quando a proteção virou filtro, o poder chamou isso de inclusão. Quando a censura virou moderação, o poder chamou isso de justiça. E nós, disciplinados pela linguagem, aplaudimos. A nova tirania não exige armas; exige adesão moral. Não impõe medo; impõe virtude. Não cala pela força; cala pela vergonha. O dissidente não é preso, é diagnosticado. O crítico não é perseguido, é deslegitimado. O inconveniente não é removido, é reclassificado. Chamam de “discursos de ódio” o que ameaça o consenso. Chamam de “fato sensível” o que ameaça a narrativa. Chamam de “proteção” o que ameaça a verdade. O Estado não precisa mais dominar a imprensa se cada cidadão se torna seu próprio Ministério da Verdade. Vigilância é o novo afeto. Obediência é o novo serviço público. Autocensura é o novo patriotismo. Oceania não chegou de madrugada. Ela foi aprovada em plenário. Votamos no nosso próprio silêncio, assinamos o atestado da nossa servidão, e chamamos isso de progresso. O totalitarismo do século XXI não se impõe, ele seduz. Não queima livros, reclassifica. Não destrói reputações, gerencia. Não interdita palavras, revoga conceitos. E quando finalmente perguntarmos quem nos calou, a resposta será simples e insuportável: ninguém. Fomos nós. O que está em disputa não é a liberdade de falar, mas o direito de ouvir. Pois o último crime não será dizer a verdade, será querer escutá-la. Oceania não é o futuro. É o presente com Wi-Fi.
Ernesto Capiquila Redator e Blogger pesquisador de vários assuntos da franja social. Gosta de manter informado em assuntos diversificados. Publica assuntos variados, desde as músicas, cronicas (Poéticas, Narrativas e Históricas), Notícias, Tutoriais de Tecnologias e muito mais assuntos de interesses sociais.